O Brasil tem uma particularidade importante: a maior parte das cargas viaja de caminhão. Pelos dados oficiais do planejamento federal (Plano Nacional de Logística, ano-base 2017), o rodoviário responde por cerca de dois terços (67%) da carga transportada no país; o ferroviário, por cerca de 21%; e a navegação pela costa (cabotagem), por cerca de 8%. Rios, dutos e aviões, somados, ficam abaixo de 4%.
Por que isso acontece?
- A partir dos anos 1950, o país investiu muito mais em rodovias do que em ferrovias.
- A malha ferroviária é pequena para o tamanho do território.
- Os rios e a costa são pouco aproveitados para transporte de carga.
Consequências:
- Frete mais caro, porque caminhão é caro para longas distâncias.
- Mais acidentes e poluição.
- Vulnerabilidade: a greve dos caminhoneiros de 2018 mostrou como o país para quando o rodoviário para. Faltou combustível nos postos, verdura nas feiras e remédio em farmácias de várias cidades, e a produção da indústria caiu 10,9% de abril para maio daquele ano.
Por que o trem compensa nas longas distâncias? Um trem com 100 vagões, por exemplo, tira das estradas mais de 200 caminhões grandes (bitrens). Isso significa menos combustível por tonelada transportada, menos motoristas, menos acidentes e menos desgaste das rodovias.
Um país do tamanho do Brasil se beneficiaria de usar mais trem e navio para longas distâncias, deixando o caminhão para trechos curtos, onde ele é imbatível: chegar porta a porta.
Teste rápido, verdadeiro ou falso?
- A maior parte da carga do Brasil vai de trem: falso, vai de caminhão.
- A greve dos caminhoneiros de 2018 causou falta de combustível: verdadeiro.
- O Brasil aproveita muito bem os rios para transportar carga: falso, eles são pouco aproveitados.
Para lembrar: O Brasil depende demais do caminhão, e isso encarece e fragiliza a logística do país.
Para saber mais: Panorama do sistema ferroviário brasileiro (Infra S.A., 2025); IBGE, Brasil em números 2018, capítulo Transportes.